8/04/2014

Todas as fotos neste post foram tiradas pela Luísa Cativo! Podem ver o post dela sobre o festy aqui.

Já se sentia a ansiedade em relação ao fim mesmo antes do festival começar, a vontade de fazer tudo, de estar em todo lado e com todas as pessoas fazia prever que nem 3 nem 4 nem 10 dias seriam suficientes para abandonar Barcelos com a sensação de “missão cumprida”.

Não sei apontar quando exatamente começaram os preparativos, mas rapidamente tudo se fundiu num turbilhão de cores, malas, fatos de banho e tamanhos de viagem de champôs e cremes.
Foi Terça-feira dia 22 que parti para Barcelos, não sem uma boa tarde de descolorações e make-overs de última hora.



Vamos começar por Quinta-feira, o dia em que o pessoal fabuloso aterrou em Barcelos chegado do Porto, prontos para lançar o caos. Foi no palco Taina com a atuação de Ghetthoven (https://www.facebook.com/Ghetthoven) que senti a força e a energia de uma atuação a contagiar e inspirar-me para os dias que se seguem. Toda a noite se resumiu a esperar por esse momento e viver no memento que sentíamos.

Não se pode falar de MdF sem mencionar a piscina, e nos dias em que não estive a abanar-me em cima de plataformas, estive a chillar no spot que batizamos carinhosamente de “o fim do Milhões”. A sombra, vivendo o chillar agressivo, canhões e mega munchies.

Sexta-feira foi o dia de “pausa”, nada de muito animado nem demasiado excitado manteve os humores suaves e o ambiente prometia apenas melhorar, sentia que podia andar pelo recinto e falar com qualquer pessoa e fazer amigos para a vida toda.

O meu amor total por este festival levou-me a querer contribuir de todas as formas possíveis e imagináveis mas a acabar um pouco perdida sem saber bem onde me encaixar. Entre os momentos a servir finos para o pessoal no bar do backstage, as duas cadeiras que carreguei das piscinas para a zona das credênciais ou todos os anos de vida dos quais decidi abdicar durante a performance para Thug Unicorn no fim-de-tarde de Domingo, não consigo classificar qual das atividades foi mais relevante, ou se o momento mais relevante do festival não terá sido mesmo quando eu e a Luísa Cativo passamos uns bons minutos a tentar salvar um passarinho que tinha caído dos arbustos, apenas para sermos supreendida por um Marcinho (Marcio Laranjeira) estupefacto, a tentar conter o riso enquanto nos perguntava simplesmente “Que ritual rarito era esse?” - Entre a vida do passarinho e a gargalhada do Marcinho, foi um momento bonito de encontro entre natureza, gente delicada e burrinha e um passarinho que talvez até se tenha safado. Gosto de pensar que o passarinho está a curtir largo a paz e sossego em Celos neste momento.


Para mim este foi um ano mais marcado por amizade bonita e sem merdas do que qualquer outro sentimento. Reforçar, redescobrir e criar laços com todas as pessoas que tive a sorte de encontrar. Quase tenho medo de despejar aqui toda a gratidão e carinho que sinto por tantos de vocês por isso vou só resumir em #sddsmdf

Nem tudo foram emoções positivas, risos e boa disposição, houve momentos de pânico, tons de vozes que se elevaram e o típico panico de “oh meu deus perdi a carteira ah não caguem nisso nem sequer a trouxe lol vamos continuar a dançar”, mas hey, estou de volta a casa e acho que não perdi nada a não ser vergonha e credibilidade. Quem me dera que a credencial do Milhões desse para coisas da vida real tipo umas pizzas em casa na Segunda-feira ao fim da tarde.

O Sábado foi um dia mais ativo e já com o nível de ansiedade a subir: amanhã é o último dia, temos de curtir mas não podemos curtir demasiado porque ainda temos de curtir até à madrugada de Segunda. Dormes depois, descansas depois e sentes dores depois, temos de viver ao máximo este momento, custe o que custar.

A maioria do grupo maravilha retirou-se para os seus aposentos antes da música acabar e foi assim que a cortina se fechou no penúltimo dia.

O último dia começa com atividade frenética, roupas para preparar, protetor solar para espalhar e ainda tive tempo de preparar um banhinho de imersão para o meu namorado simpatico que teve de ser arrancado da cama pelo bem maior: as migas querem quitar-se em conjunto.
Um quarto de hotel cheio de roupa, maquilhagem e sapatos variados espalhados por todo o lado resultou no que se pode ver durante a atuação de Thug Unicorn: vou usar o que me apetece, o que tenho, o que as amigas emprestam, o que dá jeito e o que tiver que ser para levar o brilho aos thuggies.

Party Monster viiiibes~

O palco não era muito estável, mas nós tivemos fé no destino e fomos dar tudo por tudo com o sol na cara e o suor no peito, a recolher energia vital das pessoas incríveis que não se deixaram parar por ser fim-do-dia, por ser estranho, por ser Domingo ou seja pelo que for e vieram rodear o palquinho de relva no qual as Thuggies do som destrocaram, e o pessoal da dança se partiu e requebrou para vos tentar trazer também um momento de algum modo positivo, mesmo que não tenham sentido na altura ou ainda não estejam a sentir, tiraram algo de bom e márico daquele fim de tarde. E não, não me estou a referir a água minada.



Entre o mar de caras felizes, de maquinas fotograficas e telemóveis sinto que não havia forma de viver aquela experiência mais intensamente, quando se olhava para um lado perdia-se as acrobacias do Onio, quando se focavam nas acrobacias perdiam a oportunidade de serem “o gajo que passou imenso tempo a filmar o rabo da Vânia”.
Depois tive direito a um banhinho de espuma no quarto de hotel, patrocionado para Luísa Cativo que tinha trazinho uma “bath bomb” da LUSH. Adorei toda a vibe de amizade no quarto de hotel, senti que deve ser assim ter irmãs fixes.

A ressaca da atuação foi indescrítivel e ainda dura, as dores são postas de parte, o desconforto é ignorado e tudo é adiado para depois da festa, tanto podia ter corrido mal, se calhar correu, se calhar não, mas sei que a ligação que estableci com as pessoas naquele palco me mudou e enriqueceu. Nem que seja pelos futuros calos que certamente de começaram a formar. Acho que lhes vou dar nomes.


Esta verborreia seria para mim antes de mais, para me permitir solidificar as experiências, atribuir-lhes uma certa vida eterna e para daqui a um ou dois anos ler isto e rir ou chorar ou simplesmente recordar quem fui e quem me tornei. Milhões de transcendências.


Tchau e até para o ano, milhionários!

EDIT:

Fica aqui uma foto com o meu namorado, até porque a nossa relação se tornou oficial no MdF de 2011 e cenas. Topem a cena da luz a formar o símbolo do MdF entre nós, como se os espíritos do festival estivessem a abençoar a nossa união.


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